Estrada da Cabriúva receberá nome de professora que dedicou três décadas à educação

Albertina da Silva Machado superou dificuldades para estudar, ajudou a formar gerações e deixou um legado na comunidade. Homenagem foi aprovada por unanimidade pela Câmara de Paverama

19/10/2026

Por @ClicdoVale | contato@clicdovale.com.br
Em Política

A trajetória de uma mulher que precisou deixar a casa dos pais para estudar, tornou-se professora em uma época de grandes dificuldades no interior e dedicou aproximadamente 30 anos à formação de crianças será eternizada em Paverama.

A Câmara de Vereadores aprovou por unanimidade, na quinta-feira, dia 15, Dia do Professor, o Projeto de Lei nº 009/2026, que denomina como Estrada Professora Albertina da Silva Machado uma das principais vias da localidade de Cabriúva.

Conhecida pela família como Vó Rucha, Albertina marcou gerações de estudantes e moradores da comunidade. Sua história, apresentada na justificativa do projeto de autoria do vereador Dionatas Lopes de Souza (Republicanos), revela uma vida dedicada à educação, à família e à participação comunitária.

A homenagem será destinada à atual Estrada Geral Paverama 05 (EGP-5), que liga Vila Rica à Cabriúva. Conforme o projeto, a via inicia na rodovia VRS-835, seguindo em direção leste até o encontro com a EVP-222.

Da infância na Cabriúva ao sonho de estudar:

Albertina da Silva Machado nasceu em 17 de janeiro de 1921, filha de Francisco Xavier da Silva e Mariana Marcelino de Souza. Era a mais nova de cinco irmãos de uma família que residia na Cabriúva.

Por ser a caçula, recebeu o apelido de Pequeruxa, pelo qual era chamada durante a infância e que, com o passar dos anos, deu origem ao nome Ruxa, conforme o histórico apresentado no projeto.

Naquela época, o acesso à educação era um desafio para as famílias do interior. A localidade onde Albertina vivia não possuía escola, situação que obrigou seu pai a buscar uma alternativa para garantir os estudos da filha.

Ainda criança, ela foi levada para Bom Retiro do Sul, onde passou a morar na residência do tio Otávio Silva. O deslocamento entre a Cabriúva e a cidade era feito a cavalo, único meio de transporte disponível para a família.

Longe dos pais durante o período escolar, Albertina permanecia em Bom Retiro do Sul e retornava para casa somente nas férias.

Frequentou o Grupo Escolar Bom Retiro, que tinha como diretora Dona Tila Ribeiro. Conforme os registros escolares citados na justificativa do projeto, destacou-se pela dedicação aos estudos e concluiu sua formação com nota 9.

Determinada a seguir estudando, matriculou-se posteriormente em um curso intensivo de formação de professores, conhecido como magistério, realizado na cidade de Taquari.

A decisão abriu caminho para uma trajetória profissional que transformaria a realidade educacional da própria comunidade onde havia crescido.

Vereador Dionatas Lopes de Souza, autor do projeto de homenagem à professora Albertina da Silva Machado, ao lado de familiares da educadora. Créditos: AI Divulgação.

 

Professora ajudou a construir a história da educação na Cabriúva:

Depois de concluir sua formação, Albertina retornou à Cabriúva. A localidade ainda não contava com uma instituição de ensino, mas a situação começaria a mudar.

Por volta de 1939, o então prefeito de Taquari, Nestor Azambuja Guimarães, criou a Escola Visconde de Porto Seguro e nomeou Albertina como professora da instituição.

Na época, Paverama ainda integrava o município de Taquari.

A educadora passou a lecionar para estudantes da primeira à quarta série em uma única sala de aula, reunindo crianças de diferentes idades e níveis de aprendizagem no mesmo turno.

Em determinado período, chegou a trabalhar com até 50 alunos simultaneamente, realidade que exigia organização, responsabilidade e dedicação para atender às diferentes necessidades dos estudantes.

Durante aproximadamente três décadas, Albertina exerceu o magistério, tornando-se uma referência para famílias da Cabriúva.

Sua atuação ocorreu em um período em que as escolas do interior enfrentavam limitações de estrutura e recursos, e o professor desempenhava uma função que ultrapassava o ensino dos conteúdos escolares.

Além de alfabetizar e ensinar, os educadores exerciam importante papel de liderança e orientação nas comunidades rurais.

O trabalho de Albertina recebeu reconhecimento oficial em 1950, quando foi homenageada pelo então prefeito de Taquari, Prudêncio Franklin dos Reis, e pela inspetora municipal de ensino, Sofia da Costa e Silva, em razão dos serviços prestados à educação.

Dedicação à família, à comunidade e à religião:

A história de Albertina também foi marcada pela formação de uma família numerosa.

Em 1942, casou-se com Antônio Machado, com quem teve oito filhos. Mesmo diante das responsabilidades familiares, manteve sua dedicação ao ensino e à comunidade.

Além de professora, atuou como catequista, contribuindo para a formação religiosa de crianças e famílias da localidade.

A presença de Albertina na vida comunitária fez com que seu trabalho fosse reconhecido não apenas pelos estudantes, mas também por pais e moradores que acompanhavam sua atuação.

O compromisso com a educação teve continuidade dentro da própria família. Duas de suas filhas também seguiram a carreira do magistério, dando sequência ao legado iniciado pela mãe.

Em 1967, durante a administração do então prefeito de Taquari, Libório Fregapani, Albertina aposentou-se, encerrando uma trajetória profissional que contribuiu para a formação de diferentes gerações.

Seu nome, entretanto, permaneceu associado à história da educação na Cabriúva e às lembranças de antigos alunos e familiares.

Neto relembra os domingos na casa da Vó Rucha:

A aprovação da homenagem foi acompanhada por familiares da professora, que estiveram presentes na sessão da Câmara.

Um dos momentos mais marcantes ocorreu durante o pronunciamento de Cássio dos Reis, neto de Albertina, que falou em nome da família para agradecer o reconhecimento.

Em sua manifestação, Cássio recordou a infância na Cabriúva e os encontros familiares na casa da avó, especialmente durante o Natal, a Páscoa e os aniversários.

Ao refletir sobre a passagem do tempo, destacou a saudade deixada quando a casa dos avós deixa de reunir filhos, netos, tios e primos.

As lembranças incluíram os domingos de manhã, quando enfrentava o frio e a geada para chegar à residência da avó, onde encontrava o fogão a lenha aceso, pão fresco e rosquetes.

Também recordou as partidas de futebol, os passeios até a cachoeira da Cabriúva e as visitas de vizinhos e antigos alunos à casa da professora.

Para Cássio, a residência da Vó Rucha representava um espaço de convivência, acolhimento e união familiar.

"Sempre foi uma pessoa doce, sempre sorridente, apesar da vida difícil e sofrida que ela teve", destacou.

O neto também relembrou o respeito que a avó conquistou como professora e a importância que os educadores tinham na vida das comunidades.

A coincidência da aprovação do projeto com o Dia do Professor deu ainda mais significado à homenagem. Durante a manifestação, Cássio também prestou reconhecimento a outros profissionais da educação, incluindo integrantes da própria família.

Ao encerrar o pronunciamento, agradeceu aos vereadores pela iniciativa que manterá viva a memória da avó.

"Nosso muito, muito obrigado por essa bonita homenagem que vai ficar eternizada no nome da avó Rucha", declarou.

Neto da homenageada, Cássio dos Reis relembrou momentos da infância na casa da Vó Rucha durante pronunciamento na Câmara. Créditos: Ai

Homenagem reconhece legado de educadora:

Autor do projeto, o vereador Dionatas Lopes de Souza destacou a importância de preservar a memória de pessoas que contribuíram para a história das comunidades do interior.

Durante sua manifestação, relatou que, embora não tenha conhecido pessoalmente Albertina, cresceu ouvindo histórias sobre sua atuação, contadas por familiares e moradores da Cabriúva.

Conforme a exposição de motivos, a denominação busca reconhecer a trajetória de vida da professora, sua dedicação à educação, à família e à comunidade, preservando sua memória para as futuras gerações.

A proposta recebeu apoio dos vereadores e foi aprovada por unanimidade.

Com a conclusão dos trâmites legais e a publicação da respectiva lei, a atual Estrada Geral Paverama 05 passará a ter oficialmente o nome de Estrada Professora Albertina da Silva Machado.

Inscreva-se em nosso novo canal do YouTube: ACESSE AQUI!

Clique AQUI para receber notícias de graça pelo WhatsApp: ENTRE NO GRUPO VIP DO CLIC