El Niño começa oficialmente; saiba os impactos esperados a partir de junho
Fenômeno climático entra em fase de fortalecimento e pode aumentar os volumes de chuva no Sul do Brasil durante o segundo semestre.
10/06/2026
Por @ClicdoVale | contato@clicdovale.com.br
Em Notícias Gerais

O fenômeno El Niño já pode ser considerado oficialmente instalado no Oceano Pacífico. A avaliação é da MetSul Meteorologia, que aponta que os principais indicadores oceânicos e atmosféricos já apresentam sinais compatíveis com o início do evento climático neste mês de junho.
Embora os impactos mais expressivos ainda estejam projetados para os próximos meses, especialistas já acompanham com atenção o aumento gradual do potencial de chuva no Sul do Brasil. Segundo a meteorologista Estael Sias, o fenômeno ainda está em processo de fortalecimento e os efeitos mais significativos devem ser sentidos ao longo do inverno, ganhando maior intensidade entre o final da estação e a primavera.
De acordo com a MetSul, o Paraná deverá ser o primeiro estado da Região Sul a registrar aumento mais consistente das precipitações. Na sequência, os impactos devem avançar para Santa Catarina e Rio Grande do Sul, dentro de um processo gradual de expansão das instabilidades atmosféricas.
O cenário projetado para o segundo semestre indica condições favoráveis para períodos de chuva acima da média, especialmente durante a primavera. Com isso, aumenta também o risco de enchentes, alagamentos, deslizamentos de terra e outros transtornos associados ao excesso de precipitação.
Apesar das semelhanças com episódios recentes, a meteorologista destaca que o atual El Niño não deverá reproduzir exatamente o comportamento observado entre 2023 e 2024. Os modelos climáticos apontam diferenças importantes na distribuição das chuvas em várias regiões do país.
Entre os destaques está a possibilidade de precipitações acima da média em áreas do Centro-Oeste e Sudeste, incluindo estados como São Paulo e Mato Grosso do Sul, situação considerada incomum para um período normalmente marcado por menores volumes de chuva.

Aquecimento acelerado do Pacífico:
Nas últimas semanas, o aquecimento das águas do Pacífico se intensificou significativamente. Grandes volumes de água excepcionalmente quente avançaram do Pacífico Oeste em direção à América do Sul e passaram a emergir na superfície, elevando rapidamente as temperaturas do oceano.
Os dados mais recentes mostram que a principal região utilizada para monitorar o fenômeno já apresenta valores compatíveis com El Niño. O aquecimento é ainda mais intenso próximo às costas do Peru e do Equador, onde atua o chamado El Niño Costeiro. Em alguns pontos do litoral peruano, o mar está até 8°C mais quente do que a média histórica.
Além dos sinais observados no oceano, a atmosfera também já apresenta comportamento típico do fenômeno. Um dos principais indicadores é o Índice de Oscilação Sul (SOI), que mede a diferença de pressão atmosférica entre diferentes áreas do Pacífico e já aponta características compatíveis com o desenvolvimento do El Niño.
Possibilidade de um evento histórico:
A MetSul avalia que o episódio 2026-2027 tem potencial para se tornar um dos mais intensos dos tempos modernos, rivalizando com eventos históricos registrados entre 1982-1983 e 1997-1998.
Os modelos climáticos reforçam a possibilidade de o fenômeno atingir a categoria informalmente conhecida como "Super El Niño" durante o segundo semestre, embora a intensidade máxima ainda seja considerada uma incógnita pelos especialistas.
Embora a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) ainda não tenha oficializado o início do fenômeno, a análise dos dados oceânicos e atmosféricos indica que os critérios necessários para sua caracterização já foram atendidos. A expectativa é de que o reconhecimento formal ocorra nos próximos dias.
Para o Sul do Brasil, os meteorologistas alertam para um aumento do risco de chuva extrema, cheias de rios, enchentes e temporais severos, especialmente entre o final do inverno, a primavera e o outono de 2027. Ainda assim, especialistas ressaltam que um El Niño mais intenso não significa necessariamente a repetição de desastres como a enchente histórica registrada no Rio Grande do Sul em maio de 2024, já que a ocorrência desses eventos depende da combinação de diversos fatores atmosféricos.
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