Meio Ambiente e Sustentabilidade por Márcio Silva do Amaral
O CUSTO INVISÍVEL: A TERRA SOB FOGO
Enquanto o mundo acompanha mapas de guerra e números de mortos em conflitos como os da Ucrânia, Gaza e as tensões envolvendo o Irã, existe uma perda que quase não aparece nas manchetes: a do meio ambiente.
A guerra não destrói só cidades. Ela deixa marcas profundas na terra — marcas que podem durar gerações.
Na Ucrânia, regiões inteiras de solo fértil estão sendo afetadas por contaminação, resultado de explosões, combustíveis e resíduos militares. A destruição da barragem de Nova Kakhovka agravou ainda mais esse cenário, inundando áreas naturais e alterando ecossistemas de forma difícil de reverter.
Em Gaza, a realidade é igualmente dura. A infraestrutura de água e saneamento, já limitada, entra em colapso sob o peso do conflito. O acesso à água limpa se torna incerto, e isso afeta não só as pessoas, mas toda a vida ao redor.

O impacto humano é imediato. O ambiental, silencioso — e duradouro.
Animais perdem seus habitats, rotas migratórias são interrompidas, e espécies desaparecem sem sequer serem registradas. Florestas e áreas naturais são destruídas em questão de horas, levando consigo uma biodiversidade que levou séculos para existir.
Ao mesmo tempo, guerras também poluem o ar. Incêndios, explosões e a própria logística militar liberam grandes quantidades de gases que intensificam a crise climática global.
No fim, cada ataque deixa uma cicatriz que vai além do campo de batalha. Porque não existe reconstrução verdadeira sem considerar o ambiente que sustenta a vida.
Cidades podem ser erguidas novamente. Mas a natureza — essa leva muito mais tempo para se recuperar. E, às vezes, não se recupera.
Márcio Silva do Amaral
Engenheiro Ambiental
CREA/RS 270848
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